Desde a
publicação de A Origem das Espécies muitas pessoas acreditam que os
genes “controlam” a biologia. Essa crença se baseia na teoria da seleção
natural, e sustenta que estamos programados desde a concepção para ter este ou
aquele comportamento, determinadas doenças, hábitos e sentimentos.
A ideia é
mais ou menos essa: se as características, doenças, mente e corpo de alguém são
definidos pelo DNA, essa pessoa não tem controle sobre si. Ou seja, se ela é viciada
em álcool a culpa não é dela, mas de algum gene misterioso. Trata-se de uma
crença apegada à seleção natural e ao determinismo que foi na contramão do
pensamento do próprio Charles Darwin desenvolveu no período final de sua vida, como
uma de suas cartas a Moritz, escrita em 1876, demonstra:
Em minha opinião, o maior erro que cometi foi não dar a devida
atenção à ação do ambiente sobre os seres, como no caso dos alimentos, clima
etc. Independentemente do fator seleção natural... Quando escrevi A origem
das espécies, e mesmo nos anos seguintes, jamais percebi as evidências da
ação direta do meio ambiente; hoje elas são muito claras para mim.[1]
A
concepção equivocada de que a genética controla cada aspecto da biologia humana
levou muitas pessoas a desistirem de lutar contra sua “programação”. Alguns temeram
seus genes e acreditaram fosse apenas uma questão de tempo até o surgimento do câncer
ou outra doença grave, tal qual bombas-relógio. Outros usaram esse pensamento
como desculpa para não abdicar de um vício, e a indústria médica gastou bilhões
à procura do miraculoso e inalcançável remédio capaz de corrigir cérebros e
genes criminosos. Com o tempo surgiram evidências contrárias ao determinismo
genético, e descobertas levaram ao surgimento da epigenética. Segundo Bruce H.
Lipton, isso aconteceu porque:
[...] Os cientistas associaram diversos genes a diferentes doenças
e características, mas ainda não chegaram à conclusão de que um simples gene
possa ser a fone delas.
A confusão ocorre porque a mídia deturpa o sentido de dois termos
muito importantes: correlação e causa [...]
[...] Na realidade, a idéia de que os genes controlam a biologia é
apenas uma suposição jamais comprovada e até questionada pelas descobertas
científicas mais recentes. [2]
A ciência epigenética (expressão que significa “controle da genética”) assentou entendimento de que os genes não controlam nosso destino. Na realidade, fatores ambientais como nutrição, estresse e emoções podem influenciar os genes sem sequer modificar sua estrutura, a ponto de modificar seu funcionamento e serem repassados para as gerações futuras da mesma forma que o padrão DNA é passado pela dupla espiral.
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REFERÊNCIAS