John
Taylor Gatto passou mais de 30 anos em sala de aula e foi eleito professor do
ano da cidade de Nova York de 1989 a 1991, e de todo estado de Nova York em
1991. Naquele mesmo ano ele disse que deixaria as classes por não querer mais
ganhar sua vida “machucando” as crianças. Ele se justificou dizendo que a
genialidade é uma qualidade humana comum, natural à maioria de nós, mas que a
escola trabalha para emburrecer as crianças, tal como se ela tivesse
sido projetada para impedi-las de aprender a pensar e agir, induzindo-as
ao vício e ao comportamento dependente. Nas palavras de Gatto:
[...] A escola priva nossos filhos de qualquer possibilidade de ter
um papel ativo na vida comunitária – na verdade, ela destrói as comunidades ao
relegar a instrução das crianças às mãos de especialistas certificados – e, ao
fazer isso, garante que nossos filhos não se tornem inteiramente humanos [...]
A escola, tal como foi construída, é um mecanismo de apoio
essencial para um modelo de engenharia social que condena a maioria das pessoas
a serem pedras subordinadas em uma pirâmide que se afunila conforme ascende a
uma posição de controle [...][1]
As campainhas e sinais, o confinamento, as repetições insanas, a separação por idade, a falta de privacidade, a vigilância constante seriam apenas alguns exemplos dos instrumentos utilizados por um currículo oculto que reforça os mitos da instituição escolar e da economia baseada em castas, destinado a ensinar sete lições: Confusão, posição de classe, indiferença, dependência emocional, dependência intelectual, autoestima provisória e que não é possível se esconder
A primeira
lição: Confusão
Os seres
humanos são buscadores de sentido, então a escola os ensina a não relação de
tudo. São passados fatos desconexos e fragmentados, no oposto do que seria a
coesão, de modo muito similar à televisão.
A segunda
lição: Posição de classe
Nem
sempre o professor sabe quem define as posições de cada criança, nem seus
critérios, mas isso não é problema dele. Então as crianças são numeradas para
garantir que sejam facilmente identificadas e recolocadas em seu lugar se
escaparem. Por meio dessa ferramenta cabe ao educador fazê-las gostar de ficar
trancafiadas com outras crianças da mesma idade, ou pelo menos fazê-las
suportar essa situação. Aprende-se o seu lugar por esta lição.
A
terceira lição: Indiferença
As
escolas ensinam as crianças a não se importarem muito com nada, exigindo que
elas liguem e desliguem seu interesse conforme a divisão diária de disciplinas.
Como os alunos nunca passam por uma experiência completa, tudo é dividido em
prestações e no final eles acabam percebendo que nenhum trabalho é digno de ser
concluído.
A quarta
lição: Dependência emocional
Com
estrelinhas, riscos de caneta vermelha, sorrisos, prêmios e testas franzidas as
crianças são ensinadas a respeitarem a hierarquia. Aqui a liberdade de
expressão inexiste, a menos que as autoridades escolares autorizem. Os
professores intervêm livremente nas manifestações dos alunos para dar passe
livre àquelas que julgarem mais adequadas.
Muitas
crianças escapam da supervisão escolar sob o pretexto de ir tomar água, ou ir
ao banheiro quando elas não precisam, mas os professores se deixam enganar para
condicioná-las a dependerem de sua benevolência. Por essa lição, os alunos
aprendem a depender de terceiros para saciar sua necessidade de
individualidade.
A quinta
lição: Dependência intelectual
Esta é a lição
mais importante. Bons alunos devem esperar os professores lhes dizerem o que
fazer, ou seja, aprende-se a esperar que outras pessoas deem sentido às nossas
vidas. Então, como o tempo é escasso, o professor escolhe os assuntos
escolhidos pelo mercado.
A sexta
lição: Autoestima provisória
Como
nosso mundo não sobreviveria a uma grande quantidade de pessoas confiantes por
muito tempo, ensina-se à criança que sua autoestima depende da opinião de um
especialista. O método para fazer isso é simples: Mensalmente se encaminha um
relatório (“boletim”) para a casa dos alunos para dizer aos pais o quanto eles
devem ficar satisfeitos, ou insatisfeitos, com uma criança. A precisão é
fantástica e alcança até as casas decimais!
A
verdade, aqui, é uma: é necessário que as pessoas aceitem que outros ditem seu
valor.
A sétima
lição: Não é possível se esconder
Os alunos
são sempre observados, seja por seus colegas, pais ou professores. Eles, e seus
próprios pais, são incentivados a delatar uns aos outros num sistema moldado
para não guardar segredos perigosos. Além disso, as trocas entre aulas não
duram mais do que poucos minutos para evitar confraternizações em excesso entre
os estudantes.
Os alunos
adquirem a certeza de serem vigiados porque a escola acompanha-os até sua casa
mandando atividades extras(“deveres”), lugar onde eles poderiam, quem sabe,
utilizar seu tempo livre para explorar sua individualidade e aprender algo não
autorizado pelo governo com sua família e comunidade.
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REFERÊNCIAS