A PSICOGRAFIA QUE ABALOU O BRASIL – PARNASO DE ALÉM-TÚMULO


As psicografias são alvo de muita polêmica e acaloradas discussões. Críticos e céticos argumentam que se elas não forem embuste, não passam de manifestações do inconsciente. Outros, como o professor Carlos Augusto Perandréa, perito especialista em identificação datiloscópica e grafotécnica, chegaram a se converter ao espiritismo após análise das evidências coletadas.

Dentre as evidências de existência do mundo espiritual obtidas por psicografia se encontra a obra Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de poemas inéditos feitos por poetas desencarnados e ditados ao médium Chico Xavier. Nela aparecem nomes como Humberto de Campos, Casimiro de Abreu, Cruz e Souza, Olavo Bilac e muitos outros.

Parnaso de Além-Túmulo causou muita repercussão na época de sua publicação porque os poemas eram de qualidade e Chico Xavier só tinha estudado até o ensino básico. Além disso, ele era um jovem pobre, com uma rotina de trabalho braçal que começava às 7:00 da manhã e só terminava às 8:00 da noite, não tinha acesso a muitos livros e morava numa cidade do interior.

Surpreso com a qualidade do trabalho, o escritor Zeferino Brasil, então integrante da Academia Rio-grandense de Letras, assim comentou:

 

Ou os poemas em apreço são de fato dos autores citados e foram realmente transmitidos do além ao médium, ou o sr. Francisco Xavier é um poeta extraordinário, capaz de imitar os maiores gênios da poesia universal.[1]


Humberto de Campos (antes de seu desencarne) também se manifestou:

 

"Eu faltaria, entretanto, ao dever que me é imposto pela consciência, se não confessasse que, fazendo versos pelas penas do Sr. Francisco Cândido Xavier, os poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta. Os temas abordados são os que os preocuparam em vida. O gosto é o mesmo e o verso obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical. Frouxo e ingênuo em Casimiro de Abreu, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro, fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos.[2]

 

Assim como Mario Donato:

 

Dei-me ao trabalho de examinar grande número de mensagens psicografadas por Chico Xavier e vários outros médiuns; e, francamente, como não posso admitir que um homem, por mais ilustrado que seja, consiga 'pastichar', tão magnificamente, autores como Humberto de Campos, Antero de Quental, Augusto dos Anjos, Guerra Junqueiro e, se não me engano, Victor Hugo e Napoleão Bonaparte, opto pela explicação sobrenatural, que não satisfaz minha consciência, é verdade, mas apazigua a minha humaníssima vaidade de literato[...] É milagre. Coisas assim não podem ser senão milagre, puro milagre. Há qualquer intervenção sobre-humana no fato; não porque o diz Chico Xavier, mas porque assim o exige nossa arrogância[...] Positivamente não aceito a autoria de Chico Xavier, e aceito a de Humberto, como a de Antero, Napoleão, Dumas e qualquer outro que, do lado de lá, tenha o mau gosto de praticar literatura. E creio que essa é a atitude mais humana, a mais condizente com a nossa falta de humildade. É milagre, e o milagre, não explicando nada, explica tudo. Pois se não admitirmos que o caso é milagroso, temos que levar o Chico Xavier à Academia Brasileira de Letras e, naturalmente, estamos mais dispostos a reconhecer-lhe amizades no Céu que direitos literários ao Petit Trianon.[3]

 

Os céticos foram atormentados pela publicação de Parnaso de Além-Túmulo porque não havia motivos para Chico Xavier, um rapaz no auge dos seus 22 anos, deixar de assumir a autoria dos poemas e se consagrar como grande artista. Afinal de contas, se ele fosse capaz de um pastiche tão bom, poderia ser considerado um dos maiores gênios do século XX. Por outro lado, também não havia motivos para ele doar os direitos autorais de sua obra à Federação Espírita Brasileira (FEB)




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REFERÊNCIAS

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parnaso_de_Al%C3%A9m-T%C3%BAmulo

SOUTO MAIOR, Marcel. As vidas de Chico Xavier; Rio de Janeiro: Rocco, 1994

SOUTO MAIOR, Marcel. Por trás do véu de Isis 3ª ed. – São Paulo: Planeta, 2017



[1] As vidas de Chico Xavier, página 34

[2] Vide wikipedia

[3] Vide wikipedia

José Lucas Steinmetz

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